segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Penso, logo desisto!

“Penso, logo existo”
Mas, para mim
Não será mais:
Penso, logo desisto?!

Desisto de viver
Desisto de caminhar
Desisto de sofrer
E até de falar

Desisto de ser gente
Desisto de mim com certeza
Porque para viver também
Será preciso beleza

Beleza na reacção
Beleza no bem-estar
Beleza no bem-querer
E até no bem amar

Mas as pessoas como eu
Que vivem sem viver
Apenas sentem vontade
De fugir sem sobreviver

Se viver já é difícil
Bem mais difícil será então
Sobreviver sem vontade
Num mundo de desilusão

E enquanto o tempo passa
E nós por aqui caminhamos
Deixamo-nos levar pelo vento
Mesmo sem saber onde estamos

Aqui paramos ali sofremos
Aqui moramos ali morremos
Morrendo lentamente estamos
Quem nunca o amor conhecemos

Nesta vida amarga e triste
Em que tudo me aborrece
Penso por vezes desistir
Mas nem isso me apetece

Prefiro deixar-me ir
Prefiro voar com o vento
Fugir para onde me levar
Deixar-me ir e ir sem ir
Sem sequer querer pensar

E nas asas desse vento
Que me leva e me afasta
De tudo o que nesta vida
Me faz sofrer e me arrasta
Para uma vida de desgraça

E quando eu já não puder
Falar, pensar ou sentir
Quero que me deixem ficar
Numa duna de areia branca
Donde eu possa ver o mar


Talvez então nesse momento
Eu possa enfim sentir
Que valeu a pena viver
Uma vida sem sentido
E sempre sempre a sofrer!

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